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O meu filho apresenta alguns comportamentos estranhos… O que podem significar?

O meu filho apresenta alguns comportamentos estranhos… O que podem significar?

Sinais alerta:

· Ao fim de uns minutos sentado começa a escorregar pela cadeira;

· Tem dificuldade em contornar os obstáculos enquanto se movimenta;

· Agarra os objetos com muita força;

· Sente-se incomodado com as etiquetas da roupa;

· Faz demasiada pressão no material de escrita (fura a folha a pintar);

· Não gosta de brincadeiras como andar de baloiço;

· Prefere atividades movimentadas (saltar, correr e arrastar objetos) e tem dificuldades em parar.

As funções sensoriais têm um papel fulcral na organização cerebral e no desenvolvimento de competências sociais, motoras, emocionais e comportamentais (Ayres, 1972).

Segundo a teoria da integração sensorial, a esta constitui um processo neurofisiológico, inconsciente, que se refere à capacidade do sistema nervoso central receber, registar, organizar e interpretar a informação sensorial, de forma a produzir uma resposta adaptativa (Fernandez-Andres, Pastor-Cerezuela, Sanz-Cervera, & Tarraga-Minguez, 2015; Roley, 2006)

A capacidade da pessoa se envolver nos diferentes contextos é influenciada pela sua capacidade neurobiológica de processar e interpretar a informação que provém dos sentidos, sendo eles visão, olfato, audição, tato, paladar, proprioceção e vestibular (Gomes et al., 2016).

Para a criança se envolver nas tarefas é necessário que se mantenha concentrada, processe corretamente a informação que provém do ambiente e encontre a motivação para as realizar (Bagatell, Mirigliani, Patterson, Reyes, & Test, 2010; Rodger & Kennedy-Behr, 2017). Contudo, quando manifestam dificuldade de aprendizagem e um comportamento desadequado, em alguns casos estas têm por base défices no processamento sensorial. (Delgado, Montes, & Prieto, 2016; Dunn, 2007; Nakagawa, Sukigara, Miyachi, & Nakai, 2016)

A disfunção do processamento sensorial (PS) surge quando o cérebro tem dificuldade em processar a informação proveniente dos sentidos (Byrne, 2009; L. J. Miller, Anzalone, Lane, Cermak, & Osten, 2007; L.J. Miller, Fuller, & Roetenberg, 2014; Lucy J. Miller, Nielsen, Schoen, & Brett-Green, 2009; Shimizu & Miranda, 2012).

As alterações no PS relativas ao diagnóstico ainda se vinculam a patologias como perturbações do espectro do autismo (PEA), de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) e motoras. Todavia, sabe-se que existem crianças que possuem alterações no PS, no entanto não apresentam qualquer tipo de doença associada (Benarous et al., 2020; Cheung & Siu, 2009; Lucy J. Miller et al., 2009; Owen et al., 2013; Zimmer & Desch, 2012)

Segundo Ayres, o desenvolvimento da criança foca-se no processamento sensorial, principalmente nas funções primitivas (manipulação de objetos, controlo postural, coordenação e equilíbrio) tem por base o sistema propriocetivo, tátil e vestibular determinam o progresso das funções superiores como comportamento, competências académicas e motoras complexas (Ayres & Robbins, 2005). Os sistemas propriocetivos e vestibulares são dois sistemas sensoriais não muito conhecidos pela população em geral, mas são muito importantes no desenvolvimento da criança.

O sistema vestibular encarrega-se de transmitir a informação acerca da gravidade, do equilíbrio e do movimento, em especial, do movimento do pescoço, olhos e corpo. Os seus recetores localizam-se no ouvido interno que detetam respetivamente o movimento de rotação, vertical e horizontal (Chu, 2017; Phillips-Silver & Trainor, 2008).

O sistema propriocetivo é o responsável por transmitir informação sobre os movimentos (força e velocidade) e a posição do corpo. As competências inerentes a este sistema incluem a consciência corporal, o controlo e o planeamento motor. Acresce a sua responsabilidade pela expressão corporal, o equilíbrio e o movimento eficaz das diferentes partes do corpo, em conjunto com o sistema tátil e vestibular (Chu, 2017; Goble et al., 2012)

Dado que as funções primitivas melhoram as funções superiores, em alguns casos torna-se necessário promover atividades que envolvam os sistemas mencionados acima, de forma a que a criança se consiga autorregular (Case-Smith & O'Brien, 2015), por exemplo, saltar no trampolim, realizar o carrinho de mão e tocar em objetos com diferentes texturas.

Através da avaliação específica da criança, o Terapeuta Ocupacional consegue compreender se existem alterações no processamento da informação sensorial e desenhar uma intervenção que permita à criança melhorar a capacidade do cérebro processar a informação que provém dos sentidos de forma a que a criança consiga desempenhar melhor as atividades diárias (Rodger & Kennedy-Behr, 2017; Roley, 2006).


Ana Reis Terapeuta Ocupacional da Equipa Origami

 
 
 

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