EMOÇÕES - Como posso ajudar?
- Equipa Origami

- 29 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Nos últimos dias tenho ouvido com alguma frequência relatos de pais desesperados que já não sabem mais o que fazer em relação aos estados emocionais dos seus filhos. Ora, se por um lado, os mais pequenos “se irritam por tudo e por nada” e fazem frente aos pais, ora, por outro, “parecem deprimidos e sem energia para participarem nas atividades em família”.
As emoções fazem parte da vida de cada um de nós e é sabido que cada uma delas desempenha um papel fulcral no nosso desenvolvimento e sobrevivência. Neste sentido, é tão importante sentirmos alegria, como raiva, tristeza ou medo. A forma como lidamos com as nossas emoções é que pode ser adaptativa ou não para a nossa vida.
Se esta pode ser uma tarefa, por vezes, difícil para um adulto, certamente imagina o quão complexa pode ser para uma criança. E, sendo que uma criança, não nasce a saber regular as suas emoções e aprende a fazê-lo na relação que estabelece com as suas figuras significativas, fique a conhecer como pode ajudar as suas crianças neste processo.
Antes de tudo, é fundamental que procure proporcionar, sempre que possível, um ambiente estável e consistente em casa. Com isto, refiro-me à existência de rotinas previsíveis e regras claras, contribuindo para um sentimento de estabilidade e segurança na criança.
Depois, é também importante que transmita aos mais pequenos que todas as emoções são normais e naturais e que não há nada de errado com nenhuma delas. De facto, as crianças devem ser ensinadas a ajustarem o seu comportamento e não aquilo que sentem. Por este motivo, demonstre, acima de tudo, que compreende aquilo que a criança está a sentir naquele momento (por muito difícil que seja), e, posteriormente, ajude-a a nomear as suas emoções e a procurar uma explicação para elas, por exemplo: “Bem vejo que estás triste, podes dizer-me o que aconteceu?”. De seguida, ajude a criança a encontrar uma forma positiva de gerir a emoção, como por exemplo incentivar a que esta pratique uma atividade que a faça sentir melhor, sugerindo algumas alternativas.
Não se esqueça que, como pai/mãe, representa um modelo para o seu filho. Isso significa que a criança aprende a lidar com as suas emoções ao observar o modo como os pais fazem a sua própria regulação. A grande vantagem é que ao utilizar uma linguagem com base nos seus sentimentos está a permitir aos seus filhos que também eles sejam capazes de identificar melhor as suas próprias emoções e conversar sobre elas. Assim, ao invés de guardar as emoções para si, partilhe com a criança aquilo que sentiu perante determinada situação e o que fez para se sentir melhor. Deste modo, a criança percebe que não tem problema sentir uma emoção mais desagradável (por exemplo, raiva), desde que a consiga gerir adequadamente.
Sara Freitas Psicóloga Clínica da Clínica Origami




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