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DIVERTIDAMENTE: A IMPORTÂNCIA DAS EMOÇÕES

E se as emoções das nossas crianças ganhassem vida? E se as vossas, papás e mamãs se transformassem em pequenos bonequinhos com vida? Como seriam? O que diriam? E como vos influenciariam a vocês e às nossas crianças?

Se fosse possível, perceberíamos rapidamente esta realidade: como se comportam as nossas emoções e como nos influenciam, em qualquer idade e fase das nossas vidas.

A formação do tom emocional base que nos acompanha durante toda a vida surge logo na fase primária; a interação do bebé com o ambiente que o envolve e os seus cuidadores tem um papel crucial nesta aprendizagem.

Importa, aqui, referir e definir aquela que é a parte do cérebro responsável pela regulação das emoções e que auxilia no desenvolvimento cognitivo e no armazenamento das memórias - o SISTEMA LÍMBICO. Este sistema é importante na regulação das experiências vivenciadas pelas crianças e adultos, tendo um papel de grande importância nas emoções e comportamento social. Podemos, então, imaginar o sistema límbico como uma “sala de reuniões” onde as emoções interagem e onde as memórias ganham significado e são armazenadas.

Quando a criança nasce, o cérebro já tem uma certa preparação para as primeiras interações que surgirão na vida e que serão marcantes para a formação das primeiras memórias. Existirá, então, um desenvolvimento conforme as interações entre a criança e os ambientes externo e interno, progredindo durante a vida.

A alegria quando vivenciada e associada à presença amorosa dos pais auxilia na formação das primeiras memórias associadas ao afeto, cuidado e segurança. Já a tristeza, emoção expressa em forma de choro e gerada por desagrado, não é compreendida conscientemente pelo bebé. É um sinal de alerta de que algo não está bem, que está presente um desconforto ou incómodo, traduzindo-se numa necessidade a ser colmatada. Desta forma, ambas as emoções interagem pela proteção da criança.

Conforme a criança vai experienciando as situações, outras sensações e emoções vão surgindo e sendo vividas, aumentando as interações na “sala de reuniões”. Cada emoção tem o seu papel na vida da criança, culminando em aprendizagens e podendo representar opostos associados a uma mesma emoção. Desta forma, apresentaremos as cinco emoções primárias:


ALEGRIA: representa o bem-estar, autoestima, competência de relacionamento, boa disposição, extroversão e positividade; podendo também representar euforia e negação.

TRISTEZA: quando compreendida, auxilia na introspeção e integração das experiências; contudo, quando não compreendida, pode surgir como culpa, negativismo e impotência.

RAIVA: estimula-nos na defesa e a impedir injustiças; mas se ultrapassar os limites, torna-se destrutiva, revelando impulsividade e agressividade em situações frustrantes.

MEDO: emoção muito importante que nos auxilia na proteção, mantendo-nos em situações de segurança; ainda que possa caracterizar-se pela ansiedade e pressão/constrangimento.

NOJO: importante nas decisões sobre aceitar ou rejeitar, por exemplo comida estraga ou envenenada ou em questões sociais.

Assim, as emoções estruturam a nossa consciência e a nossa personalidade! Quando lidamos bem com elas, quando as compreendemos e integramos, caminhamos para um melhor entendimento de nós mesmos e de adequação. Contudo, quando as reprimimos e agimos de forma inflexível, estas prejudicam o nosso desenvolvimento, podendo desenvolver variados sintomas. E é importante perceber que todas as recordações que vamos armazenando, sejam elas boas ou más, trazem consigo emoções e sentimentos associados que foram experienciados no momento.

Torna-se, então, de extrema importância auxiliar as nossas crianças nesta caminhada que é lidar com as emoções, ajudando a compreende-las, normaliza-las em função das situações e aceita-las; e nunca reprimir, desvalorizar ou ridicularizar. Na verdade, TODAS as emoções são importantes e cumprem um papel fundamental no nosso desenvolvimento, não existindo emoções boas ou más, apenas essenciais e adaptativas quando equilibradas.

Mas não se esqueçam de vocês, papás e mamãs!!! O vosso papel na formação emocional dos filhotes é crucial, assim como nas suas fases de transição! Por exemplo uma mãe que seja dominada pela tristeza e que se apoie na alegria do seu filho, está a contribuir para a repressão da expressividade emocional do mesmo, que tenta corresponder às expectativas da mãe para não a desapontar. Assim, as vossas reações devem adequar-se às necessidades das crianças, tentando compreender o processo de desenvolvimento e agindo empaticamente, transmitindo aceitação e adequação.

Desta forma, a expressão das emoções e consequente aceitação e acolhimento é essencial para um equilíbrio e uma gestão emocional saudável, de não as deixarmos acumular e gerar confusão dentro da nossa “sala de reuniões”. Os pais podem e devem, também, falar daquilo que sentem, gerando proximidade e validação. Assim, ao longo do desenvolvimento, as crianças vão-se tornando confiantes, aumentam o seu autoconhecimento e riqueza emocional, ganhando a consciência da função das suas emoções e do reconhecimento do papel das mesmas.

Concluindo, aconselhamos vivamente a visualização do filme DivertidaMente que espelha a vida das nossas emoções desde que nascemos, traduzindo-se numa aprendizagem de inteligência emocional para crianças e adultos.


Psicóloga Clínica,

Ana Sofia Ferraz

 
 
 

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